Mesmo sozinha você nunca está só

Mesmo sozinha você nunca está só

2019 foi um ano de várias mudanças pra mim, inclusive físicas, com o novo lar aqui em Brasília. E com tantas coisas mudando, também decidi explorar a minha própria linguagem visual, buscando desenvolver novas técnicas e encontrar meu estilo (um trabalho ainda em andamento, diga-se de passagem).

Hoje quero compartilhar o processo de criação de uma das séries de desenho que montei no ano de 2019. Também vai ser um exercício interessante pra mim mesma, porque enquanto eu monto as peças do quebra-cabeças desse mini projeto, eu também vou entendendo melhor o meu próprio processo criativo.

E tudo começou nas páginas de um dos cadernos de desenho.

A ideia inicial era explorar uma paleta de cores limitada: iniciei com o amarelo, roxo, rosa e depois laranja. Foram registros de momentos, rascunhos aleatórios ou estudos de observação. Entrou um pouco de tudo dentro dessa etapa inicial.

Pouco depois da fase de exploração, decidi tentar desenvolver uma série mais estruturada de desenhos. Busquei praticar o contar uma história através de uma ilustração, capturar um momento. E tudo isso dentro dessa linguagem visual que eu estava começando a construir.

Lembro que não cheguei a estruturar um conceito inicial, só ia pensando em cenas e montando rascunhos de composições: uma pessoa lendo, organizando um espaço, outra pessoa descansando tomando seu café, etc.

Não foi algo exatamente planejado, mas fui entendendo que o que eu costurava em todas essas narrativas era aquele momento cotidiano em que a gente se permite fazer companhia pra si mesma. Um breve instante em que estar por si já basta. É libertador e acolhedor.

A partir das primeiras versões dos desenhos também formatei outros desdobramentos em diferentes mídias. Assim, vi as cenas que nasceram da minha cabeça e ganharam vida no desenho digital, também ganharem corpo em mídia impressa.

Acho que nunca tinha parado pra fazer esse exercício sobre minhas próprias criações. Honestamente fiquei bem surpresa e feliz. Por diversas vezes fiquei muito frustrada primeiro por não atingir minhas expectativas com relação à qualidade técnica do meu trabalho e segundo por sentir que não estava conseguindo falar o que queria através do que crio.

Mesmo sozinha você nunca está só
Mesmo sozinha você nunca está só

Não tenho propriedade pra discutir sobre experiência estética, fazer artístico ou todas essas questões mais filosóficas, porque não tenho repertório de leitura e estudo pra isso. Mas pensando e falando da minha perspectiva pessoal, o meu ato de criar, por mais treinado e projetado que seja (falando principalmente como alguém que trabalha como designer), por vezes acaba ultrapassando esse controle e estrutura. É como se você estivesse criando uma conversa sem ter muito controle sobre o assunto. Seria um momento de escuta de si mesma? Será que faz sentido?

É por isso que acho que a gente precisa, de tempos em tempos, conversar de volta.

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